E se houvesse um espaço na Internet onde a gente pudesse contar aqueles causos que nossas avós nos contava, e tivesse liberdade pra criar nossos próprios causos para as gerações futuras? O projeto "Causos da Nossa Terra" surge justamente pra isso - preservar a cultura regional, incentivar a criatividade e proporcionar o mesmo prazer em ouvir histórias, que tivemos em nossa infância, para as novas gerações!



domingo, 23 de setembro de 2012

Seu Siqueira do Violino e Monselhor Ernesto

*Colaboração de ZÉrnesto

[Este é] "o registro saudoso que farei de duas personalidades que me foram singulares desde a infância. Ambas pelo caráter e carinho que emanavam. Nutriam-se de uma amizade contagiante. Seu Siqueira do Violino e Monsenhor Ernesto, Pároco e Poeta."


SERESTEIROS 
Benedicto Siqueira e Silva – (1902/1996) Paraibuna/SP 
empresta seu nome à Fundação Cultural local


Naquelas noites de um luar de prata,
Era “Siqueira” no violino, Chico no violão,
Caio na flauta, o Nego no rabecão.
Estava assim formada a serenata.
Aquele grupo sempre à hora exata,
Começava de fato a execução.
Nunca faltou no rol daquela nata,
O incorrigível boêmio e folgazão.



Era o Nhonhô, com o cavaquinho ao peito,
Tirando som tão limpo e tão perfeito,
Que ele de tanto gosto, cochilava.
Mas se o grupo de novo caminhava,
Ele ficava ali de pé, sozinho,
Com o queixo encostado ao cavaquinho.


"Esta paisagem social urbana é muito objetiva do interior brasileiro, mas que o tempo vem apagando, os 'amigos da cantoria' de Paraibuna, a partir da presença do Sr Nilson (1993). Ele sempre citava Cecília Meireles pra dizer: "Não invejo as cigarras, eu também vou morrer de cantar!" É hoje mais um seresteiro no céu. Mas eu dizia que os 'amigos da cantoria' a tem mantida viva e estimulada. Na Paraibuna, em noites claras de lua, ainda se vê serenata pelas ruas."


LUAR DE PARAIBUNA  
Monsenhor Ernesto Almírio de Arantes (1900/1974)
morou por 40 anos em Paraibuna
Empresta seu nome à Praça central ou 'Praça da Matriz'



Ó como é belo este luar da minha terra;
Maravilhoso, esplendoroso e encantador!
Tudo revive nesta noite; e a lua encerra,
Terno convite para a vida e para o amor!


 Um bando alegre de pessoas vem cantando,
Hinos e loas para a lua prateada.
E lá ao longe, um carro, de leve, vai chiando,
De vida enchendo a solidão daquela estrada.


Parece um mar de luz, ondeante sobre a mata;
A campina banhando e o matagal virente:
- Vai penetrando tudo o seu fulgor de prata!
- Vai enchendo de paz o coração da gente!


Ó Paraibuna, terra encantadora e linda;
És recanto feliz onde esta vida estua!
És mais encantadora e fulgurante ainda,
Ao sonho sideral desta noite de lua!

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