*Colaboração de ZÉrnesto
SERESTEIROS
Benedicto Siqueira e Silva –
(1902/1996) Paraibuna/SP
empresta seu nome à Fundação Cultural
local
Naquelas noites de um luar de prata,
Era “Siqueira” no violino, Chico no violão,
Caio na flauta, o Nego no rabecão.
Estava assim formada a serenata.
Aquele grupo sempre à hora
exata,
Começava de fato a
execução.
Nunca faltou no rol daquela
nata,
O incorrigível boêmio e folgazão.
Era o Nhonhô, com o cavaquinho ao peito,
Tirando som tão limpo e tão perfeito,
Que ele de tanto gosto, cochilava.
Mas se o grupo de novo
caminhava,
Ele
ficava ali de pé,
sozinho,
Com o
queixo encostado ao cavaquinho.
"Esta paisagem social urbana é muito objetiva do interior brasileiro, mas que o tempo vem apagando, os 'amigos da cantoria' de Paraibuna, a partir da presença do Sr Nilson (1993). Ele sempre citava Cecília Meireles pra dizer: "Não invejo as cigarras, eu também vou morrer de cantar!" É hoje mais um seresteiro no céu. Mas eu dizia que os 'amigos da cantoria' a tem mantida viva e estimulada. Na Paraibuna, em noites claras de lua, ainda se vê serenata pelas ruas."
LUAR DE PARAIBUNA
Monsenhor Ernesto Almírio de
Arantes (1900/1974)
morou por 40 anos em Paraibuna
Empresta seu nome à Praça central ou 'Praça da Matriz'
Ó como é belo este luar da minha terra;
Maravilhoso, esplendoroso e encantador!
Tudo revive nesta noite; e a lua encerra,
Terno convite para a vida e para o amor!
Um bando
alegre de pessoas vem
cantando,
Hinos e loas
para a lua prateada.
E lá
ao longe, um carro, de leve, vai
chiando,
De vida enchendo
a solidão daquela estrada.
Parece um mar de luz, ondeante sobre a mata;
A campina banhando e o matagal virente:
- Vai penetrando tudo o seu fulgor de prata!
- Vai enchendo de paz o coração da gente!
Ó
Paraibuna, terra encantadora e
linda;
És recanto feliz
onde esta vida estua!
És
mais encantadora e fulgurante
ainda,
Ao sonho sideral
desta noite de lua!
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