*por Zenilda Lua
Disse-me que passava por tratamento de saúde ranzinza. Tinha ficado
internado por longos cinco dias. Só poderia tomar cerveja sem álcool,
que merecia um alento poético e que não descansaria enquanto não
realizássemos outro sarau "daquele". - Em 2010 fizemos o Flores em Flor
sarau lítero musical com declamações e cantorias.
Desde
sempre busquei propagar a obra literária e musical de nossa gente,
juntar os amigos, botar som nas risadas, convocar sanfoneiro, estender
toalha de chita, flar de beirais e rosas, noites e quintais. Julgar-me
louca sem poder de encantos.
Prometi ao Fernando que iria
cavoucar um espaçozinho em alguma instituição que prefiro para
realizarmos uma apresentação de música e poema.
Não cavouquei nada! Não deu tempo. O convite veio feito claridade que impede as ruas do sono.
Amanda Silva, do SESC, convidava-me para fazer a curadoria de saraus dentro do projeto; A Cidade e seus Personagens.
A
essência captada do sutil queixume virou festa. Vários e-mails e
telefonemas. Carecia reunir a tropa, escolher o texto, acertar no
desenho, encontrar a roupa merecida de amor.
Fernando Fernandes estava salvo.
Nenhuma fraqueza lhe atingia mais. Ninguém sofreria de espera, de promessa desvingada.
Dentro
em breve até o silêncio ganharia melodia e na curva das noites
explodiria poemas de todas as cores, revelando sentidos, rumores de bem
em linha de espumas.
O
espelho e a memória. As poetas e os meninos. O biscoito de polvilho, o
café passado na hora, o chocolate amargo. Dúzia de maçãs compradas no
supermercado próximo. A foto das filhas, as notícias do serviço, o
desconforto do sol, o cavalo marinho pendurado no teto. Tudo aberto para
os ritmos da música, poesia e coração.
O tambor da Mirian, a voz linda da Rossana, a serenidade do Ronaldo adiando coisas para chegar na hora.
Tudo se apresentando num relance, sob um êxito sublime Para Acalentar Detalhes.
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