ESPÍRITO SANTO
(Bairro rural de Paraibuna/SP)
Zé Ernesto
Paraibuna, meu Sinhô, é um lugá rico de amô.
Pela sua natureza, de exuberância!!
É testemunha ocular da minha infância;
Dos meus dias galopantes do passado.
Porto, Espríto Santo, Varjão, Lajeado!
Onde corri muito atrás de gado; vacas brabas e garrotes.
O cavalo suado a dar pinotes; mas eu, que na sela tinha apoio,
Abria a garganta e dava aboio, que abalava os morros do Pau Daio!!
Depois... ganhei mundo, corri trecho.
Mas, um dia, na solidão da “cidade grande”,
Tomado pela saudade...
Assuntando, matutando... eu arresorvi.
Pra mim, acabô. Esta vida é um espanto!
Eu quero sair daquí; vou voltar pro Espríto Santo!
Lá pra terra onde eu nasci.
Vou rever meus camaradas, amigos de cantoria!
Viver de minhas memórias, inquietações, poesias.
Voltar pras minhas jornadas, de bola, carteado e cachaça;
Regadas a torresminho, mocotó e frango caipira.
Ajudá nas lidas de gado, tirar leite no currá;
Escutando as modas no rádio, pru mode as vaca amanssá.
Pois ficavam tão serenas, como as tardes que eu aprendi;
Jogando cunversa à toa, com a gente morena, tão boa,
Numa paz que eu nunca vi!
Ah! -que saudade bendita, do berço da minha vida!
Na refeição? -Arroz com feijão! Na mistura, a “pururuca”!
Tomá café com farinha, adoçado com rapadura.
Fazer minhas pescarias e me banhar todos os dias...
Nas águas... do Rio... Fartuuura!!!!!
Pra mim, acabô. Esta vida é um espanto!
ResponderExcluirEu quero sair daquí; vou voltar pro Espríto Santo!
Lá pra terra onde eu nasci.